Sou casada há anos, vida perfeita no papel. Marido carinhoso, emprego estável em Lisboa, jantares em família. Mas por dentro… um vazio que pulsa. Naquela festa no loft, ele não veio. Trabalho, disse. Eu pus a saia preta justa, que marca o rabo que eu sei que tenho. Batom vermelho, olhos brilhantes. Queria sentir-me viva. Ela apareceu. Alta, confiante, olhar que devora. Começámos a falar, boca no ouvido por causa do barulho. Falava das mulheres a dançar, descrevia os corpos, imaginava-as nuas, a cona molhada para os voyeurs. Ri no início, um pouco bêbada. Mas o riso escondeu o calor que subia. Senti os olhos dela em mim, despindo-me. O coração acelerou. A aliança no dedo pesava, mas a mão dela roçava o meu braço. Lembrei-me de toques de infância, proibidos. Ela sabia. Pegou-me na mão: ‘Vem!’ Voz firme, quente. Segui-a como uma idiota, pelo meio da multidão. Olhares estranhos. Medo de alguém ver. Chegámos ao casa de banho. Empurrou-me para dentro, trancou a porta. Fiquei encostada à pia, pernas cerradas, mão na saia. ‘Vira-te’, ordenou. Obedeci, vi-me no espelho, rosto corado. Ela colou-se por trás, mãos nas ancas. ‘Estás tão bonita… doce… deixa-te ir.’ Roçava os braços, pele de galinha. ‘Quero ver os teus peitos. Abre a blusa.’ Hesitei, mas os dedos foram aos botões. Sem sutiã, calor da festa. Abri. Ela puxou os cotovelos para trás, fez-os inchar. ‘Bonitos… este mamilo está tímido.’ Beliscou-os, esticou. Endureceram devagar. ‘Assim, valentes os dois.’ Desabotoou a saia, tirou os sapatos. ‘Pés descalços dá mais tesão.’ A saia caiu, deixando a cueca branca simples. Suspiro dela. Beijou o pescoço, mãos nos flancos. ‘Agora baixa a cueca, pouliche. Mostra o cu. Cambra-te bem.’ Tremia. Mas baixei, cona já molhada. Afastei as nádegas com as mãos, exposta. Lágrimas nos olhos, mas o prazer… ah, o prazer de ser vulnerável. Pegou no cinto, passou no pescoço como trela. Puxou para baixo: ‘Mais baixo! Quero ver a cona e o cu.’ Dedo roçou os lábios encharcados, pressionou o ânus. ‘Vou para aí também…’ ‘Diz o teu número. Vens quando eu mandar.’ Anotou na cabeça, beijou a face e saiu. Fiquei ali, nua, trela pendurada. Medo de baterem à porta. Vesti-me a tremer, saí desculpando-me. Ela já se fora. Voltei a casa, marido a dormir. Fechei-me na casa de banho. Dedos na cona, imaginando-a. Gozei forte, culpada mas viva. Agora, dias normais: aliança brilhando no escritório, sorrisos falsos. Mas o telemóvel vibra às vezes. O segredo queima. Adoro o risco, a dupla vida. Quem mais vive assim?