É domingo de manhã, o sol aquece as pedras antigas do prédio. Eu, casada há anos, vida certinha: marido em casa a preparar o almoço, eu gerente de escritório, aliança brilhando no dedo. Mas a prateleira da cozinha clama por parafusos. Suspiro, pego a lanterna velha e desço à cave. Três semanas adiando esta merda, mas hoje vai. A porta está entreaberta, luz fraca no topo da escada. Alguém lá em baixo, penso. O novo vizinho, que vi ontem a carregar sofá com os amigos. Cumprimentámo-nos no lance de escadas, ele piscou o olho.
Desço os degraus irregulares, o ar húmido cheira a mofo e caldeira. Luz apaga-se de repente. Paro, coração acelera. Acendo a lanterna, mas tremeluz. Ouço ruídos abafados. Abro a minha cave: caixas poeirentas, frascos de compota esquecidos. Nada. Fecho, aliviada por ter desculpa para desistir. Volto pelo corredor labiríntico, luz apaga outra vez. ‘Merda!’, grita uma voz masculina. Rio nervosa.
A Rotina Partida pelo Desejo Escondido
‘Olá? Alguém aí?’, chamo. ‘Sim, na minha cave, mas apaguei-me a cabeça’, responde ele, irritado. Ofereço a lanterna. Cantamos para nos guiar, rimos como tolos. ‘Quando te verei de novo?’, ele canta mal, eu adoro. Chego perto, lanterna apaga-se na cara dele. Trocamos a lanterna, ele mexe, nada. ‘Pilha morta’, diz. Agora no escuro total. ‘Dê-me a mão’, pede, agarra firme a minha. Sinto o calor da pele dele, cheiro a homem limpo, suor fresco. Coração bate forte. Sou casada, penso, mas esta adrenalina… o risco de alguém descer…
Andamos tateando, ele guia, eu sinto o braço dele roçar o meu peito. ‘Você cheira tão bem’, murmuro, envergonhada. ‘Você também’, responde baixo, vira-se. Silêncio pesado. Sinto-o endurecer contra a minha coxa. Meu Deus, a aliança pesa no dedo enquanto aperto a mão dele. Ele respira o meu cabelo, beija o pescoço. ‘Não devíamos…’, hesito, mas as mãos dele apertam as minhas nádegas por cima do vestido leve de domingo. Levanto a saia, ele puxa a minha calcinha para baixo, roça as pernas ao descer. Joga-a no escuro. ‘Quero-te’, rosna.
O Gozo Explosivo e o Segredo Guardado
Ajoelha-se, cabeça entre as minhas coxas. Língua quente na minha buceta já encharcada. Gemo baixo, mãos na cabeça dele por cima do vestido. Ele lambe o clitóris devagar, depois feroz, chupa os lábios. ‘Assim, caralho…’, sussurro, empurro o rosto contra mim. Dedos entram, dois de uma vez, fodendo fundo enquanto a língua gira. Pernas tremem, coração explode no peito. O risco: marido lá em cima, vizinhos a qualquer momento. Adoro isto, o segredo que me molha mais. ‘Vou gozar…’, aviso, ancas para a frente. Luz acende de repente! Ele não para, dedos curvam no ponto G, língua esmaga o clitóris. Gozo violento, pernas abanam, grito abafado, corpo convulso contra a parede. Ele lambe tudo, devagar, enquanto eu desço do céu.
Empurro-o, vergonha bate. Vejo a calcinha no chão, pego-a a correr. ‘Onde vais?’, chama. Corro escada acima, sol na cara lava a culpa. No topo, o tipo desce: ‘Olá! Viu alguém na cave?’ É o vizinho, não o amante. ‘Não’, minto corada. ‘Mandei o meu amigo buscar ferramentas, perdeu-se.’ Ele ri e grita: ‘Ó Manu, que raio fazes?’ Desaparece.
Subo, visto a calcinha no quarto. Marido: ‘Onde estiveste?’ ‘Na cave, parafusos.’ Sorrio, segredo quente no ventre. Aliança no dedo, vida normal retoma. Mas sinto ainda o gosto dele, o pulsar. Amanhã no escritório, comporto-me. Mas esta dupla vida… o frisson de quase ser apanhada… vicia-me. Quero mais.